Sou Outro Você

Thursday, August 24, 2006

CAZUZA ESCRITO

Ontem me arrumei inteiro todo lindo
Vestido bem bonito, vestido para arrasar
Enchi minha boca de beijos no espelho
Saí andando pela rua com vontade de dançar

No pescoço derramei perfume bom
Fiquei cheiroso para a hora de ficar
Queria um, queria dois, queria os tres
Umas delícias esses meus meninos gays

Tava bem lôco, bem maluco, bem Cazuza
Andando torto, meio bêbado, eu tô na rua
Enchi a cara mesmo antes de encontrar
A boca louca que eu queria te beijar

Acordei largado, todo imundo, na sarjeta
O rato porco, quem diria, me lambia
Sentindo o gosto do meu rosto que escorria
A minha boca tem sabor canabis sativa

Naquela hora sem demora eu me assustei
E vomitei o que o meu corpo não queria
Botei pra fora tudo que não me servia
Bebida e drogas, meu amor, amanheci o dia

Bem Cazuza... Cazuza escrito, Cazuza escroto

Dai-me

Sustente-se assim
Expandido em mim
Oh Daime
Que minha consciência acompanhe a tua

Ser Divino espelhando o Eu Superior
A irmandade sagrada se manifesta
Banhe-me com tua luz

Dá-me o brilho da tua presença
E em seguida mostra-me o caminho para ser merecedor
Faça a limpeza necessária

Livra-me da dor no peito sofredor
Sua condição mais grosseira
A humana falha
Ignorante do Pai
Mirando em Ti vejo a beleza em todas as coisas

Compreendo a pureza do Criador
Grande Menino Deus que só sabe amar
Respeitar e compreender a perdição em que se encontra sua criação
Peço perdão pelos pecados Senhor

Com todo o empenho voltado à purificação
Dá-me a força necessária pra persistir nessa missão
Desaguo o choro que lava a alma

Quero Sua transparência para me revelar em Espírito Santo
Que Cristo assuma seu lugar em mim e seja o novo condutor dos meus passos
Que esta oração ecoe aos quatro cantos do Universo

Encontrando seus iguais e iluminando os corações irmãos ainda esquecidos de Ti
Saudade de um filho Teu

Estou à caminho
De volta para casa

Tuesday, August 22, 2006

RETICÊNCIAS

Um turbilhão de emoção
Idéias soltas girando no ar
Vou colhendo as notícias
Degustando sensações
Boas novas vêm chegando frescas
Sinto a presença do futuro bem vindo
Ele se aproxima ligeiro
Coração limpo e pensamento firmeza
Te amo minha princesa
Fica brava comigo não
Nunca
É só amor
Livre do julgo do opressor
É só poesia
Sinta
Sofra
Ria
Chore
Acredite em mim
Eu sou de verdade
Feio ou bonito nunca minto
Desaprendi
Escrevo isso pra você
Minha Princesa Camilla
A escolhida pra ser minha mulher
Vim dizer porque minha violência escrita atingiu você
Mas não é aí que eu machuco
É no meu peito que eu rasguei tudo e joguei fora
Na sarjeta
Sou poeta
Acabei de me levantar da cama
E já quero escrever
Cantar
Dançar
Atuar
Sou artista
Feito à imagem e semelhança do Pai
Sou deus com letra minúscula
Sou homem criador
Sou teu príncipe encantado se assim me quiser
Senão tá tudo bem também
O que eu sinto agora é que essa vida nunca termina
Amor não tem fim
Amor é reticências
...

Saturday, August 19, 2006

[SEGUNDA PARTE - ALEM AR]


Ai meu coração
Serei merecedor do amor do Pai
Tanta luz e tanta dor
Um sofrimento apertado contra o peito
Calado me liberto aos poucos
Queimando os karmas
Nas doenças que iluminam a vida
Machuco mais e mais a ferida aberta
Ainda não estou cicatrizado
Solto meu olhar lá fora
Enxergo minha mãe na Terra
Volto o olhar pra dentro
Percebo outro nome, não sou mais eu
Sou outra mulher
Sou filha também da mãe do céu


Esfrego e limpo minhas carnes podres
Quero mesmo é o perfume da pureza
O valor resgatado da inocência
Chega desse cheiro morto
Essa bicheira estampada no meu rosto
Sou anjo ferido na queda eterna
Tombei de boca e quebrei a cara
Penduro uma flor deformada atrás da orelha
E respiro algo como um frescor de laranjeira
A minha mão agora se mexe por conta sua
Por conta própria de existir em teu corpo
Escreve sozinha
Independe da vontade
Te dá uma resposta franca
Te mostra só o que é verdade

Friday, August 18, 2006

PROFECIA CRISTALINA DE CRISTINA

Um rompante criativo, esqueço de tudo no mundo, me coloco à disposição do que está para nascer; espero, preservo, observo. Aguardo pacientemente, mãos pousadas sobre o umbigo. Dentro o útero. Afasto os móveis, empurro gente, eu fico quente e quieto, seja o frio qual for faço silêncio, me despeço. Me dispo e peco, originalmente. Dispenso as bobagens egoístas, não me alimento nem tomo banho. Durmo sim, de vez em quando, só o tempo do descanso, e volto ligeiro a escrever. A te escrever. A dizer sei lá mais o que para que me entenda livre, independente de você. Essa vida doida, muito doida, essa vida doída, eu quero mais é viver "crazy people". Não se pendura em mim, as falsidades fedem mais que qualquer outra sujeira, e no meu pescoço só admito caroço de doença verdadeira, dessas que não tem começo nem meio e nos arrastam breves para o fim. A minha loucura é essa, fazer força contrária e ir ficando firme. Coisa que não acaba nunca é minha vontade de viver, e para seguir ao meu lado tem que ter passo apertado, andar depressa, a condição primordial é essa, mais do que boas idéias eu prezo a agilidade; física, emocional, intelectual. Não tenho tempo a perder com coisinhas de criança. Te quero mulher, se te quisesse menina avisava, ou voltava a atenção para as minhas três sobrinhas lindas. Nem com elas eu brinco de casinha. E eu quando pequeno gostava mais do que jogar bola.
Eu queria mesmo era ser mãe, carregar um filho teu no meu ventre. Inchar os seios de leite, arredondar minhas formas magras. Mas pra isso é preciso cura. Minha e tua. Se não cumprir a parte que lhe cabe do combinado, se não assumir teu compromisso contigo mesma, vou te abandonar de uma só vez, vai nem sentir meu cheiro, não te sopro vento no rosto, sumo mais bento que antes, na ilusão é melhor seguir sozinho porque aí eu vou com Deus. Vai, chama o Antonio, este que não é teu sogro, aceita a profecia cristalina de Cristina e se joga nos braços de quem te quer de qualquer jeito. Braços de quem quer qualquer uma de qualquer jeito. Eu só te quero se for direito, se fizer o esforço para merecer.
Te ajeita direitinho que eu agrado da beleza. Mas cuida primeiro por dentro. Acerta antes teu joguinho barato de sedução infantil, essa tua carência boba, coisa de mulher bonita e burra querendo chamar ainda mais atenção além do sol que traz nos olhos. Quer o mundo aos teus pés, todos apaixonados por ti...? Assuma-se assim então, e derrame seu charme pelo chão, escorrendo entre as pernas. Até eu vou te seguir, lambendo teus passos. Encharca tudo, me molha... Faz que é puta, você é gostosa, tá podendo sim. Mexe com os homens das outras, rouba todos para si e faz teu harém de machos. Sou homem de uma mulher só, sou teu homem. Enquanto desfruta dos paus duros, peço apenas que divida alguns comigo, eu também gosto de chupar a fruta. Não tenho vagina mas tenho ânus; uso os termos mais limpos para não parecer tão profano.
E sou vadio sim, sou da Terra, sou humano. Mas também sou santo, sou sagrado, sou humano.

Thursday, August 17, 2006

MORANGOS RECÉM-NASCIDOS

O importante é que os morangos nasçam, cresçam e apodreçam.
O tempo prepara, eu consumo.
Gosto do gosto mofado na boca.
Já adoeci o paladar faz tanto tempo...
Meu corpo está quase morto, pendurei-o como enfeite na sala vazia.
Deixe seu recado e eu faço piada ou poesia.
Levo e trago nunca, para canto nenhum.
Estrago a melodia mas não caio nessa.

Caio é só minh'alma com nome de homem, essência feminina puríssima, urgência e precisão em mim!
Me usa como bem quiser.
Me dá teu sexo pra gente gozar.
És meu homem se ainda assim desejar.
E eu sou teu, Caio.
Fernando.
Abreu.

Maria Bunita

Adoru as muié cabra-macho. Pricisu dizê issu. Muié pra andá cumigu tem qui sê ômi, e tem qui mi cumê gostosu...
Apaga o Lampião, Maria Bunita! Vem si deitá mais eu, ênchi minha cara di tapa. Me bota qui nem cavalu e chupa meu rabu. Mostra quem é qui manda na parada. Mas vai tê qui sê di cum força, rasga minha rôpa e mi fodi direitu. De ''nhênhênhém'' e ''nhecunhecu'' eu já tô cheiu!
Cumigu ocê vai tê qui sê diferenti. Vai mi catá di jeitu ou ti metu pé na bunda. Sou muito dilicado mas tamêm sei sê coiso ruim.
Di música crássica eu num entendu nada naum. Frauta cê devi di sabê bem onde infio. Trumpete, saxifone, os instrumentu tudu. Incrusive o meu, eu uso é pra socá buceta, cu... de bichu e di genti. Sexu é sexu di pé ou deitadu. Façu na cama e nu matu tamêm. Góstu mermo é da cocêra di porrada na minha cara, ardênça boa dimais da conta, uns tapa di verdadi... ah... tem nada mió! Mas eu já dissi i ripitu. Tem qui sê di verdadi. Meiu tapa meiu carinhu i eu tô fora. Cansei das frescura das muié fresca... Gostu mermo é di muié sacuda!!!

EU & VOCÊ


Somos um do outro, EU & VOCÊ, e de tantos outros que ainda estão por vir, eu te juro, eu te prometo, eles vão aparecer. Talvez venham devagar, talvez venham todos de uma vez. Você vai ver, você pode crer em mim. Te lembra? Somos nós! EU & VOCÊ. Sei que vai, sei que sim, sei purinho de mim, sei também que quero ser livre assim, desse jeitinho, sem tirar nem por...

Tirar e por só na hora de concretizar o amor em sexo, ir e vir de prazer, vai e vem do tesão, beijar molhado de boca aberta penetrando a língua, jorrando gozo bem na cara do teu espasmo. Até o tempo da delicadeza me alcançar... Já sei onde devo chegar, meu lugar de descanso é só no fim, e ele ainda está longe para mim, vou viver as compreensões da caminhada uma de cada vez. Me esbaldo com mais essa agora...

São só nomes diferentes em outros seres iguais. Outros ''eus'' seus e meus. Ele e Ela, Homem e Mulher, Adão e Eva, João e Maria, Romeu e Julieta... poderíamos nos chamar assim se quiséssemos, ou de qualquer outro nome que inventássemos exercitando a criação; ou até mesmo só para nos agradar, para parecermos um pouco mais além que alguém... mas o importante realmente é distinguir a mulher do seu complementar. Fulano e Cicrana. O e A. Simples assim.

Alma gêmea é alma irmanada, no cardíaco e no frontal. Se sente unida pelo mesmo coração imaterial, e se pensa, pensa junto do mesmo jeito, com a cabeça no lugar mais fora de si possível, buscando se encontrar no outro, naquele que é seu ouro, tesouro guardado lá no alto do astral.

Perfeitamente possível eu e ela, você e ele... É preciso escolher onde se afinar, pulsar junto na mesma vibração, uma oração comum, uma canção que não fuja do tom desejado... Qualquer outra forma de amar é tombo certo!

Seja com quem for, que seja sempre por amor. Sempre!

Para construir a morada o chão deve estar firme, seguro, terreno estável. Mais uma vez a porta se abriu para a dúvida, e eu entrei, mas fiz piada da bagunça que encontrei, liberei o espaço para ela passar e me despedi na gargalhada, de brincadeira, fiz piada rindo só. Sorrindo.

Cada um cuida de si e age como melhor lhe apetece. Assim é se lhe parece! Uns ficam bravos e botam o pau na mesa, coisa de mulher sacuda cabra-macho sim senhor. Eu, serzinho delicado e feminino que sou, pinto meu rosto de alegria e me desmascaro, todinho um bobo teu, nariz vermelho, coração desenhado pela mão do artista, sou teu inteiro, sou teu palhaço zoneiro, um teu espírito zombeteiro.

Pinta e borda comigo, faz de mim o que quiser que eu não ligo. Sou teu e não me engano. E quando não for mais, se não for, acho impossível não ser, mas vai saber... te aviso. Jamais farei de costas pra você! A não ser que uma hora ou outra vc queira me comer de quatro.

A cama quente pra deitar juntinho e dormir feliz, sonhar sonho bom, sonhar com você, Princesa Camilla, a minha escolhida, se assumindo nua só pra mim. E então estamos livres como antes, como sempre estivemos e estaremos se assim soubermos estar.

Que bom, é lindo... Ser auto-limpante. Meu rosto está clarinho como antes. Batom, lápis, delineador, sombra, rímel... Ih! Muita informação inútil, coisa de mulherzinha vaidosa.

E eu sou mulher de verdade. Mulher com M maior. Mulher maiúscula!

Wednesday, August 16, 2006

FOI-SE ♠♣

A vida ideal, sonhada junto, de casal, somada beleza em dois seres unos, na distância que se fez material, repartiu-se o amor em três, união independencializada da gente, agora cada um que tome a sua parte e a outra que volte de onde veio, ou procure um novo canto, um novo som de bicho morto, um ''crack'' de osso, fratura expondo o mais inteior do corpo, um grito de atropelamento, sou eu sozinho desde o início em nossa antiga casa da floresta...

Ela me deixou, não abandonou crianças pra eu cuidar, o mato seco, a terra rachada, não há mais água que venha do céu para apagar o fogo crimonoso, incendeia coração fogueira, coração de São João, um tropeço e o cigarro ao chão, queimando os pés descalços, feridos da fuga, enchendo o peito de fumaça num único respiro seu, meu suspiro interrompido, pneumonia, desisto mais uma vez e adoeço crônicamente de sexo.
O sexo está doente, carrego a foice no lugar do órgão.

Ando ainda mais e mais rápido, arrependido, perdido na cidade perdida, quanto mais passo menos vida reconheço, que horror, quanta feiúra... Não sei de Deus em Barra Mansa, minha terra é a vizinha, a volta redonda que o rio Paraíba faz inspirou o nome, Volta Redonda do estado do rio Paraíba, no Rio, rio bêbado, bêbado de rio que tonteia... bom é pelo menos saber então que ela não estará mais ao seu lado, nem moro mais por lá e ainda penso em voltar às origens, lugar esquecido de mim, sem o amor que senti ao nascer...

Menos homem me torno nesses dias assassinos, já não sinto dor... Nem pena de mim, não sou eu a vítima... Um certo cansaço apenas.

Eu, inadaptável ser humano. Incorruptível ser das trevas insistindo no romper da Luz Divina. Vem! Lá do alto, vem... Do mais alto profundo em mim, em ti, em nós... Sou filho da Verdade e não posso mais parar, nem voltar atrás.

Esqueço jamais o teu brilho, meu Pai, teu olho em mim antes da partida, silêncio obrigatório entre nós agora, tempo indeterminado, seu corpo de um lado, o meu do outro, incomunicáveis, intransponível barreira invisível nos separa, a ilusão de que você não existe não me engana. Nem um pouco. Choro mesmo é a dor da mãe que acaricia o rosto ensanguentado deformado irreconhecível do filho arrancado de si ao terceiro capote. O carro amassado das cambalhotas parou em cima da barriga dela.

Não sei de nada além do que inventei, conforto os sofrimentos adquiridos neste plano falido inventando minha própria realidade, chocada contra tudo o que desejei ser grande.
O Amor é o meu desejo. O Silêncio. E a Verdade.

Wednesday, August 09, 2006

Os anjos e seus acordes

Canto em voz alta na ribeira desse rio
Como se fosse eu o dono da canção
Aprendi com ela a sutileza dessa força
Sinto o amor de Deus em expansão
♥ ♥ ♥
O cantar para si mesma, voz ainda mais interior
Natureza resistindo intacta, invade rasgando a ilusão
Certo de que é assim que se ouve pela casa do Senhor
Quando os anjos dão seus acordes... ecoam deuses...

Tuesday, August 08, 2006

PaiSsarim


Seu Antonio,
meu pai,
passou para o outro lado da vida,
o lado A da vida,
na manhã do dia 30/07/2006.
Estamos de volta à Juiz de Fora,
trouxemos o corpo para que se misture à sua terra de origem.
Morreu feito um passarinho, minha mãe disse.
PaiSsarim...
É o fim da dor,
agora só o quentinho do amor de Deus...

Monday, August 07, 2006

QUANDO MEU PAI MORREU


Quando meu pai morreu eu não chorei
Eu senti foi alegria quando meu pai morreu
Quando meu pai morreu choveu um bocado
O frio era molhado quando meu pai morreu
Quando meu pai morreu eu quis ir junto pro outro lado
Eu senti uma inveja danada do meu pai quando ele morreu
Quando meu pai morreu eu fumei a noite toda
A amigdala direita inflamou quando meu pai morreu
Quando meu pai morreu a casa encheu de gente
Veio padre de fora rezar missa quando meu pai morreu
Quando meu pai morreu até vizinho apareceu
Amigos, parentes, tinha gente que eu nem conhecia
Quando meu pai morreu
†††
Fecha logo esse caixote, larga o morto meu povo
Joga terra em cima do corpo, não suporto mais demora
Acaba já com isso, o formol tá vencido, vamos embora
Amanhece dia seguinte, lá vem o Sol nascer de novo

Thursday, August 03, 2006

PAI


Uma frente fria chegou nesta manhã, é o fim do inverno
As folhas caindo úmidas geladas, denunciam o atrasado outono
O corpo do pai esticado e nu, tombo no chão do banheiro molhado
Despedindo-se do mundo à passos curtos, limitada matéria quase morta

Amor, insiste
O fim da dor é proclamado aos quatro cantos do universo
Parte sem medo, vá nascer de novo, vá voltar pra casa
Vá entender os mistérios, vá viver amor mais puro dessa vez

Amor, não adoece em câncer
Simplesmente vá embora e não me olhe para trás
O choro é certo, saudade de todo nós, mas não é porque você vai
Tremo o corpo inteiro de vontade de seguir teu rumo, meu pai.

santo guerreiro beija-flor


Outro dia Letícia, uma de minhas sobrinhas, disse assim, sem pensar, escapulindo:
- Tio, você parece um passarinho, é a cara de um beija-flor...
E em seguida Luisa, sua irmã mais nova, complementou:
- Parece um beija-flor vestido de guerreiro (São Jorge na camiseta que eu vestia).

Ontem, 29/07/06, poucos dias depois do acontecido anterior, Letícia mandou essa:
- Tio, você parece um santo.
E a Luisa sem perder tempo retrucou:
- Ué, não era um beija-flor vestido de guerreiro?!

A RAINHA ANUNCIADA


Sara:
- Te levanta, a Rainha está aqui!

Deitado sobre a preguiça de quem desperta nessa hora, os olhos ainda reclusos, sou um recém chegado do sono profundo, e recolhido à quietude do meu corpo extendido em conforto aguardo um novo toque. A mãe da consciência veio a mim, e comigo deseja ter um sonho.

Levanto-me absorto, que absurdo, grávido e bêbado de um filho morto, o aborto arrependido da noite anterior, recuperando urgentemente a humanidade na humildade da coluna ereta.
Perdoa teu filho torto mãe, perdoa.